A
racionalização do uso de sacolas plásticas no Rio Grande do Sul é sugerida
desde 2009 por uma lei estadual.
A Rio+20 começou – mas o que isso tem a ver com a sua vida?
Encontro que vai discutir desenvolvimento
sustentável e consciência ambiental poderá influenciar a forma como as pessoas
vivem e usam os recursos do planeta.
São Paulo - Uma sociedade mais justa, próspera e sustentável.
Essa é meta da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável,
a Rio+20, que começa hoje (13) e vai até o dia 22 no Rio de Janeiro.
Líderes e delegações de mais de 180 países do mundo começam a chegar à cidade,
de onde, há 20 anos, saíram documentos importantes, como a Agenda 21, assinada
na Eco-92, um texto chave com estratégias que devem ser adotadas para a sustentabilidade. Foi a partir daquele
encontro que o tema ecologia entrou, com força, no cotidiano das pessoas e das
empresas. Desde então, o mundo passou por mudanças extremamente positivas.
O desmatamento, os países reforçaram a proteção de sua áreas verdes, o buraco
na camada de ozônio deixou de assustar (praticamente paramos de emitir
substâncias nocivas, como gás CFC) e a expectativa de vida aumentou – hoje
vivemos em média 62,5 anos, quatro anos a mais do que em 1992.
Também vivemos melhor: pelo menos 62% da população global tem
acesso ao saneamento básico (na década de 90, esse percentual era de apenas
47,4%) e o número de pessoas a baixo da linha da pobreza caiu de 1,9 bilhões
para 1,3 bilhões em 2010.
Apesar das melhorias, ainda há muito a fazer. As emissões de CO2
dispararam em 40% ao longo das duas últimas décadas, associadas especialmente ao
uso intensivo de combustíveis fósseis, e o planeta ficou 0,5 graus Celsius mais
quente. Alguns dos avanços conquistados também trouxeram consigo efeitos
colaterais graves.
O aumento do PIB per capita veio acompanhado de uma demanda alta
por bens e serviços que, para serem produzidos, precisam de matéria-prima. Não
à toa, a extração total de recursos pulou de 75,2 bilhões de toneladas para
mais de 110 bilhões de toneladas. O problema é que o planeta não está dando
conta de se regenerar na mesma rapidez.
Pior, essa diferença entre a capacidade de regeneração do
planeta e o consumo humano gera um saldo ecológico negativo que vem se
acumulando desde a década de 80, também estimulado pelo crescimento
populacional. Em conjunto, todos os 7 bilhões de habitantes consomem hoje entre
1,3 e 1,5 planetas por ano, de acordo com a Global Footprint Network, uma
organização de pesquisa que mede a pegada ecológica do homem no planeta.
Neste ritmo alucinante, a humanidade vai precisar de dois
planetas por ano a partir de 2030 para suprir suas necessidades. Propor
soluções para essa difícil equação entre crescimento econômico e preservação
ambiental é o cerne da Rio+20 – uma conferência que passa despercebida e
desconhecida por pelo menos 7 em cada 10 brasileiros
O que você precisa saber sobre a Rio+20
O objetivo da Conferência é assegurar um comprometimento
político renovado com o desenvolvimento sustentável, avaliar o progresso feito
até o momento e as lacunas que ainda existem na implementação dos resultados
dos principais encontros sobre desenvolvimento sustentável, além de abordar os
novos desafios emergentes.
Pesquisa recente mostra que a economia verde pode gerar em 20
anos até 60 mi de empregos, uma vez que o atual modelo de desenvolvimento não é
mais capaz de gerar emprego produtivo e trabalho decente.
Em paralelo, uma série de eventos promovidos pela sociedade
civil e organizações não-governamentais também devem mobilizar a opinião
pública e atrair ainda mais a população para questões críticas, como
energia, consumo consciente, direitos humanos, justiça social, entre outros.
Os temas em foco
Economia verde - A transição para uma economia verde no
contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza é um dos
assuntos que serão tratados na Conferência da ONU. Na economia verde, o desenvolvimento
sustentável compete à integração e análise equilibrada dos objetivos sociais,
econômicos e ambientais a tomada de decisão tanto pública quanto privada.
Governança - O quadro institucional e instrumentos de governança
para o desenvolvimento sustentável é o segundo tema central da Rio+20. Na
prática, trata-se de se discutir as formas como os governos podem tirar do
papel os compromissos, declarações e protocolos para o Desenvolvimento
Sustentável negociados nos últimos anos. E também de como tornar as três
dimensões desses planos (social, econômica e ambiental) estratégicas dentro das
decisões políticas em todo o mundo.
http://exame.abril.com.br/economia/meio-ambiente-e-energia/noticias/a-rio-20-comecou-mas-o-que-isso-tem-a-ver-com-a-sua-vida
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